ChammaEntrevista
Um olho no peixe, outro no gato 

A Votorantim prossegue com seu plano de contar com capacidade produtiva de 38 milhões de toneladas de cimento até o final de 2010. No entanto, diante das incertezas de mercado, a empresa não definiu ainda as metas para este ano e continua atenta a qualquer mudança significativa de cenário. Em entrevista ao SINCOMAVI em Revista, o diretor Comercial da Votorantim, Marcelo Chamma, comenta o momento econômico brasileiro, as medidas governamentais previstas para incentivo à construção civil e o impacto da crise nas vendas do varejo.  

SINCOMAVI em Revista – Gostaria que o senhor fizesse uma análise do momento econômico mundial e como essa realidade está afetando o mercado da construção civil no Brasil?
Marcelo Chamma –
O Brasil vem num ritmo frenético em sua economia. A construção civil, lado operacional de edificação, não apresentou ainda grandes sinais de mudança. Estamos com uma visão positiva, mas de cautela. Ainda é um pouco cedo para ter uma noção completa do cenário. Os indicadores tendem a ficar um  pouco piores. Porém, nós acreditamos que a construção civil tem condições estruturais de ficar bem posicionada perante outros setores no Brasil. Nossa posição é de cautela, mas com expectativa positiva em função do perfil do negócio. A construção civil é uma atividade com baixa dependência cambial, de demanda real e não artificial, com necessidade no aumento no número de obras no Brasil, seja na área habitacional ou de infraestrutura. Nós entendemos que a sociedade deseja priorizar seus investimentos em habitação. Então, a construção civil como um todo reúne condições particulares de demanda natural. O governo atento a isso tem trabalhado para preservar e incentivar essa área. 

SR – Como o senhor avalia as discussões governamentais para implementar um pacote de medidas para o setor?
Chamma –
Vemos que o governo está muito focado no tema. As medidas cogitadas, que ainda não foram anunciadas oficialmente, por exemplo, preveem a redução do IPI de materiais de construção, a ampliação do crédito para a população de baixa renda, a liberação de recursos associados ao Fundo de Garantia para o financiamento de imóveis destinados à população de baixa renda, o aumento no limite do valor do imóvel passível de ser adquirido com os recursos do Fundo de Garantia. Todas são muito positivas. Entretanto, o que acredito ser mais favorável é a percepção de que o governo está atento à importância da construção civil. Por meio das várias entidades que tem consultado, que comercializem, dos trabalhadores, distribuidores, o governo tem recebido um grande volume de sugestões e está definindo as melhores ferramentas para manter ativo o setor.  

SR – A expectativa da Votorantim é positiva. Então, qual a meta de crescimento estabelecida para este ano.
Chamma -
Realmente temos uma visão positiva, porém não será estabelecida nenhuma meta enquanto o cenário não estiver mais claro. Isso deverá ocorrer somente no segundo trimestre do ano. Ainda está muito difícil de visualizar a questão. Então é muito mais uma expectativa do que números. Nossas metas ainda estão sob avaliação, porque está muito recente. Além disso, ainda estão sendo tomadas muitas decisões nas esferas governamentais, âmbito nacional e internacional, que podem acarretar mudanças no cenário econômico. Esperamos que 2009 seja tão bom quanto o ano passado. 

SR – A Votorantim conseguiu fechar 2008 com crescimento?
Chamma –
Sim, foi da ordem de 15%. 

SR – Já houve alguma repercussão da crise no varejo de material de construção?
Chamma –
Não sentimos até o momento redução no consumo das lojas. 

SR – Diante das boas perspectivas e da realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014, a Votorantim prevê investimentos para aumento da capacidade de produção?
Chamma –
Estamos desde 2007 com um plano muito ambicioso de investimentos, que estão sendo realizados. São obras em várias regiões do País. Já inauguramos algumas fábricas novas, prevendo o crescimento do Brasil, inclusive, nos locais onde acreditamos que haverá investimentos em infraestrutura em função da Copa do Mundo. Nosso pensamento não é específico pensando na Copa, mas ao perceber que os investimentos estão crescendo mais em infraestrutura e na área habitacional, fizemos um plano que contemplava novas unidades. Inauguramos fábricas próximas à Belém (PA), Fortaleza (CE) e Salvador (BA). Reativamos unidades em Cocalzinho (GO) e entraram em funcionamento um forno no Sul de Minas Gerais e outro no Sul do Rio Grande do Sul. Estamos há mais de um ano investindo forte, trabalhando para o crescimento. 

SR – De quanto está sendo esse investimento?
Chamma –
Os recursos, que nós anunciamos em 2007, são da ordem de R$ 3 bilhões. 

SR – Esse valor já foi investido integralmente?
Chamma –
Não, nós continuamos em obras. Algumas fábricas ficarão prontas somente em 2010. Temos uma obra muito grande no alto do Tocantins, em Xambioá, que vai será finalizada em setembro de 2009. Além disso, foi iniciada a construção de uma unidade em Vidal Ramos (SC), com previsão para o final de 2010. 

SR – Qual a capacidade produtiva atual da Votorantim e qual a estimativa para 2010?
Chamma –
Hoje, nós já aumentamos um pouco, está na ordem de 28 milhões de toneladas. Nós esperamos crescer 40%. Vamos chegar a 38/39 milhões de toneladas até o final do ano que vem. 

SR –  O senhor acredita que houve um aumento na profissionalização do varejo nos últimos anos?
Chamma –
O que nós notamos é que há algumas ações comuns e pontuais. As mais comuns que estamos percebendo: as lojas adquiriram uma visão administrativa-financeira muito mais consistente, com gestão do capital, estoque e definição de volume e tipos de produtos que oferece a seus consumidores. Existe uma preocupação forte com o design da loja, limpeza, organização - pontos considerados muito importantes pelo cliente, bem como em formar os sucessores da loja, pois boa parte das empresas é familiar. O processo de fusão de muitas lojas, que disputavam o mesmo mercado, aumentou o conhecimento de mercado e a abrangência geográfica das redes. Tem muito ainda a evoluir, mas o as lojas de material de construção do Brasil se profissionalizaram muito. As relações da Votorantim procuram ser as melhores possíveis com os comerciantes, porque esse segmento se mostra muito importante. É um veículo de distribuição essencial. Parte significativa de nossa produção escoa por meio da enorme rede de lojas de construção que existe no País. Então, nossa missão é ter um relacionamento baseado na qualidade de serviço, atendimento e produto, que façam com que os lojistas continuem com o interesse em nós ter como seus fornecedores. É nosso dia-a-dia. 

SR – O senhor falou da importância do canal para a Votorantim. Qual a participação das lojas de material de construção no total vendido anualmente?
Chamma –
É mais de 50%.


  barros

 

Todo os direitos reservados: SINCOMAVI
Rua Boa Vista, 356 - 15ª andar - CEP 01014-910 - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3488-8200 - sincomavi@sincomavi.org.br

Convênio Convenções Revista Fale Conosco