Especial Feicon
Clima de confiança domina o Anhembi

Feicon atinge seus objetivos e lideranças do setor apostam em uma melhora do mercado após anúncio do pacote habitacional

Abertura
Abertura oficial contou com a presença de várias autoridades, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o presidente do SINCOMAVI, Reinaldo Pedro Correa.

O assunto mais discutido no primeiro dia de trabalho da 17ª edição da Feira Internacional da Indústria da Construção (Feicon Batimat 2009), realizada entre os dias 24 e 28 de março no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo (SP),  foi o impacto real da da crise sobre o setor. Com o passar dos dias, a apreensão sobre o futuro começou a ser deixada de lado diante do otimismo que reinava sobre todos os participantes e do movimento intenso nos estandes e corredores da exposição. Nem mesmo a frustração do anúncio parcial do plano habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, em 2

5 de março, conseguiu diminuir o ânimo, calcado principalmente na grandiosidade apresentada pela feira este ano: 172 mil visitantes, 2500 lançamentos, 650 expositores. O diretor da Feicon Batimat, Jair Saponari, afirma que a meta de público foi alcançada com a presença altamente qualificada de arquitetos, engenheiros, construtores, lojistas, home centers e centenas de compradores do exterior. A Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento, introduziu novas atrações nesta edição, como a rodada de negócios em parceria com o Sindicato da Indústria de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (Siamfesp), a Casa Aqua, protótipo de casa sustentável de 100m², e a ampliação do Núcleo de Conteúdo com a realização do Seminário Cidades Sustentáveis, da Conferência Internacional de Arquitetura e do Seminário Green Bulding Council. "Tivemos a participação de um público bastante qualificado, com poder de decisão nas empresas. Além disso, a presença de renomados palestrantes internacionais e a seleção dos temas abordados foram bastante elogiados", avalia a gerente da Unidade de Negócios Congressos e Conferências da Reed, Márcia Coimbra.

Lula
Lula visitou a exposição no penúltimo dia

A tão aguardada redução da alíquota de IPI sobre os itens do setor só foi confirmada pelo Governo Federal três dias após o fim da exposição – leia maiores detalhes sobre o assunto no site do SINCOMAVI: www.sincomavi.org.br/ipi.htm. No entanto, o projeto de construir 1 milhão de casas foi visto com bons olhos pelas lideranças do segmento. O presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Elias Conz, afirma que ficou muito satisfeito: “O pacote é ambicioso, mas muito positivo. Tenho absoluta certeza de que o setor da construção vai dar o máximo de si para alcançar as metas propostas. O programa é uma injeção direta de fôlego no setor, principalmente após esse início de ano complicado”, avalia. Ele estima que haverá um impacto imediato sobre o varejo e que as metas de crescimento para 2009 deverão ser alcançadas. A Anamaco havia previsto um crescimento de 8,5%, que foi reajustado para 5% devido ao fraco desempenho do primeiro bimestre. “Além disso, temos estudos que apontam que cerca de 90% dos consumidores, antes de irem morar em seu imóvel novo, passam pela loja de material de construção porque querem personalizar  suas casas, seja pintando uma parede, trocando a louça sanitária, o piso. Em outras palavras, essas casas são reservas de mercado para o nosso setor”.

O presidente Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), Dílson Ferreira, também fez muitos elogios ao plano habitacional, pois considerou extremamente positivo para o País como um todo e para a cadeia de construção. “Ele terá forte impacto no desenvolvimento social e na retomada do crescimento, gerando empregos, movimentando a economia, reduzindo o déficit de moradias e melhorando o saneamento básico, com consequências positivas na saúde pública. A população terá moradia mais digna e melhor qualidade de vida”. Em sua opinião, a restauração da confiança dos investidores, incorporadores, construtores, imobiliárias e compradores na construção civil será outra das consequências positivas do pacote, que deverá representar um forte estímulo a todos os segmentos envolvidos direta e indiretamente com essa atividade. “Esperamos que outras formas de incentivar a construção civil, como a redução do IPI de 30 produtos, possam complementar o que já foi feito, contribuindo para que o potencial do setor para se tornar o motor da retomada do crescimento seja plenamente utilizado”, comenta. Estimativas iniciais apontam um crescimento das vendas de tintas imobiliárias de até 5% por ano, após as medidas anunciadas passarem a fazer efeito e considerando-se a manutenção da desoneração do IPI por esse período. “Somente o plano habitacional deve exigir 60 milhões de litros de tinta, representando de 2% a 2,5% de incremento nas vendas do produto por ano, se a meta de 1 milhão de casas for atingida em três anos. Com preços menores (em função da desoneração tributária) e melhores condições de financiamento, o varejo de tintas deve vender 2% a 3% por ano, para reformas, autoconstrução e pequenas obras”.


Consistente e bem estruturado – Essa é a opinião do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP),
Sergio Tiaki Watanabe, sobre a nova iniciativa do Governo Federal. “Haverá um grande volume de subsídio indispensável para o acesso da população de baixa renda à moradia; as fontes de recursos estão definidas com transparência; haverá uma desoneração tributária sobre os empreendimentos para esse segmento; foi criado um Fundo Garantidor, para possibilitar, ao mutuário que deixe de pagar algumas prestações devido a dificuldades financeiras, a possibilidade de quitá-las ao final do contrato; o tempo de aprovação e licenciamentos dos projetos será reduzido e está prevista uma articulação entre União, Estados e Municípios para viabilizar a construção de 1 milhão de moradias”. Já o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Aço (Afeaço), visualiza cenário muito bom para a industria, pois um milhão de unidades habitacionais representa dez milhões de portas e janelas.  “Esses itens (portas e janelas de aço) participam com mais de 70% na construção de habitações de interesse social que é o foco principal deste pacote, portanto teremos um crescimento acentuado no decorrer dos próximos anos”, estima.

O presidente do Siamfesp, Denis Perez Martins, acredita que os R$ 34 bilhões, investimento previsto, impulsionará a produção das indústrias de metais sanitários, fechaduras e de utilidades domésticas de alumínio. “Afinal de contas, esses artefatos são indispensáveis em qualquer lar do País”, garante. “Outro fator trará benefícios diretos para o setor é o aumento - de R$ 360 mil para R$ 500 mil - da faixa de financiamento de imóveis para a classe média”. Segundo ele, a previsão da Anamaco de 5% de crescimento para 2009, poderá ser perfeitamente alcançada, principalmente se for levado em conta a redução do IPI para materiais de construção.


   

 

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