|
|
 |
Lojistas
Comerciantes continuam otimistas
Os primeiros resultados de 2009 não foram suficientes para reduzir a confiança dos empresários do setor. Muitos já sentiram uma pequena melhora em março; outros passaram ao largo de problemas
O SINCOMAVI e a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) registraram números muito parecidos para o primeiro bimestre deste ano, queda nas vendas de 11,8% e 12%, respectivamente. No entanto, muitos lojistas têm conseguido reverter esse quadro e prosseguem tendo bons resultados. Uma avaliação rápida mostra que os estabelecimentos focados no atendimento a pessoas jurídicas vêm sofrendo mais. O comerciante Rodrigo Luperi, da Mestre Guido Ferragens, se encaixa perfeitamente neste caso. A empresa especializada em ferragens e fechaduras atua junto a construtoras, engenharias, atacado e varejo. Localizada em Pinheiros, bairro da Zona Oeste de capital paulista, a loja contou com uma redução de cerca de 30% nas vendas a partir de outubro. “Ameaçou uma melhora em fevereiro, mas faltou combustível”, ressalta Luperi.
O empresário Renato de França Marques, Rede Construir Itapi, também contabiliza problemas. A loja localizada em Santo Amaro teve quedas sucessivas em janeiro (10%) e fevereiro (16%). Nas três primeiras semanas de março, Marques registrou recuo de 5%. Além de atribuir o desempenho a sazonalidade do mercado atendido, pessoas jurídicas, ele lembra que outras unidades da rede tiveram desempenho similar. “Estou ouvindo muitas reclamações em relação à inadimplência nos condomínios. As pessoas preferem atrasar o condomínio ao cartão de crédito”, afirma, referindo-se à diferença na taxa de juros cobrada.
A Tunkus & Tunckus, segundo Genésio José Monteiro, passa por experiência idêntica. Entretanto, ele lembra que não é somente o problema da crise que afeta o mercado: “A substituição tributária elevou os preços dos produtos”. Isso somado à insegurança do consumidor em assumir dívidas resultou num processo de recuo nas vendas. Entre janeiro e fevereiro, o faturamento da loja contou com desempenho negativo de 10%. Para 2009, o planejamento diante da situação de mercado é modesto: “Esperamos empatar com os resultados do ano passado, o que será considerado uma vitória”.
A meta de obter o mesmo desempenho de 2008 também foi estabelecida pela Campo Grande Materiais para Construção. Alexandre Nobre afirma que a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciada em 30 de março, ajudará muito as empresas do segmento. “Contabilizamos uma queda de 10% no primeiro bimestre do ano, apesar de atendermos somente consumidor final”.
Cenário totalmente diferente vislumbra a Construlife Ipiranga. Segundo o comerciante Norberto Senaha, não houve ainda nenhum impacto da crise em suas vendas. “O perfil dos clientes é 99,9% consumidor final”, explica. “No entanto, ocorreu realmente uma queda na demanda de pessoa jurídica”. Os clientes tradicionais da loja foram responsáveis pelo crescimento de 10% nas vendas no ano passado. Os produtos de acabamento lideraram esse aumento. Diante disso, Senaha projeta elevar em 15% seu faturamento em 2009.
Na M&B Materiais de Construção a palavra crise não entra. O empresário Alfredo Alejandro Marin Morales admite que existe uma preocupação muito grande em pensar positivo. “Não estamos fazendo investimentos no ponto de venda. O trabalho tem se concentrado em correr atrás dos clientes”. Ações vêm sendo desenvolvidas para manter o faturamento do ano passado e, quem sabe, superá-lo. Entre as quais, um sistema de pontuação para os funcionários com o estabelecimento de metas de produção e maior atenção no pós-venda. “O perfil do nosso público é diferente, pois possui melhor renda e não compra todos os itens para construção ou reforma na nossa loja”. No ano passado, a M&B conseguiu uma elevação de 15% nas vendas.
Outra empresa que ainda não sentiu os efeitos da crise foi a IV Centenário, especializada no comércio e instalação de vidros. Dados coletados por Luiz Herculano Pinto apontam crescimento. “Existe uma lógica, porque o vidro entra na parte final da construção e ainda tem muita obra por terminar”. Sua expectativa é que tal quadro não se altere nesse ano. Na Comarx Bombas e Equipamentos houve uma baqueada na demanda no final do ano passado. “As grandes construtoras continuam mantendo as compras. Já o consumidor de alto padrão interrompeu as encomendas em dezembro, mas retomou o consumo em março com a mesma intensidade”, explica o empresário Luiz Henrique A. Marques. Segundo ele, os principais entraves no atendimento às construtoras são o aumento da burocracia para o pagamento, prazos mais longos e custos enxutos. “A grande preocupação é 2011, pois o número de obras novas tem sido muito pequeno.”
|
|
|