Mercado
Crise é pouco sentida

Nem todas as indústrias do setor registraram desempenho positivo nos últimos meses, mas a maioria planeja aumento de vendas em 2009, principalmente no mercado popular

Quem esperava um clima de desânimo na 17ª edição Feicon Batimat foi surpreendido por muitas opiniões otimistas embaladas pelos resultados deste início de ano. Até mesmo o adiamento do pacote habitacional por parte do Governo Federal não conseguiu alterar o humor dos representantes das indústrias, que fazem planos para atingir metas de crescimento. De uma maneira geral, a receita para alcançar esse objetivo passa necessariamente pela atuação em novos nichos de mercado. Esse é o caso da Deca, como explica o diretor de Desenvolvimento e Marketing da empresa, Marco Antonio Milleo. Apesar de insinuar uma queda nas vendas a partir de setembro de 2008, ele confessa ser difícil medir o impacto real da crise e fazer uma previsão para os próximos meses. “Os consumidores estão postergando a decisão de compra, mas estamos com um otimismo cauteloso”, ressalta. Em sua opinião, a maior prova que a Deca mantém a confiança em obter bom desempenho este ano é a quantidade de lançamentos levados para a Feicon, como filtros, linhas dirigidas para crianças e pessoas da melhor idade, louça bactericida, produtos econômicos e kits de troca. “Renovamos o nosso portfólio e passamos a atuar em segmentos mais populares, caso da bacia Aspen, que saí por R$ 75,00 para o consumidor final”. Para reafirmar essa preocupação em atender todas as camadas de consumo, Milleo cita a vitória na licitação realizada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Os produtos da marca estarão em 43 mil unidades populares do governo do Estado de São Paulo.

As classes C, D e E também entraram na alça de mira de outro fabricante de metais sanitários: a Fabrimar. Com aumento de vendas superiores à média de mercado nos últimos cinco anos, a empresa carioca projeta um crescimento significativo para 2009 em brechas e espaços deixados pela concorrência. O gerente de Marketing da empresa, Kevin Andrew Robinson, afirma que a marca está investindo em novas equipes para ocupar territórios. “Nosso foco é o mercado paulista, pois já somos líderes no Espírito Santo e Rio de Janeiro e temos uma participação significativa no Nordeste”. Hoje, a Fabrimar responde por 5% do consumo do segmento. A meta é dobrar essa fatia em dois anos e chegar, dentro de pouco tempo, a 15%, reforçando as linhas de altíssimo padrão e populares.

Céu de brigadeiro - Algumas empresas passaram até o momento ao largo da crise. O gerente de Vendas da Icasa, Luiz Cláudio Calegari, informa que não houve queda no faturamento até março. No entanto, a meta para 2009, que era de 25% de crescimento, será reavaliada. Para o gerente da Adere, Guilherme Beneti, houve apenas um recuo em função dos comerciantes reduzirem estoques. “Em março, as lojas começaram a formar uma pequena gordurinha”, avalia. A empresa aumentou em 20% seu faturamento em 2008 e planeja crescer 40% este ano. O lançamento da Caixa Display para balcão deverá, segundo ele, ajudar na obtenção desse resultado.

O diretor Comercial da Universo, Ary Machado, revela que, apesar de uma queda a partir de setembro, a empresa conseguiu uma performance positiva de 15% no ano passado. As metas para 2009 não foram fechadas. No entanto, a finalização dos investimentos na área produtiva, o lançamento do sistema tintométrico e o ingresso na linha Premium, certificada pelo PBPQ-H, projetam um futuro promissor para a marca. Já a Dacar aposta na fidelização do cliente para não deixar cair o consumo. Segundo o representante para a região de Campinas e Ribeirão Preto, Interior de São Paulo, Marcos Zatesko, o grande trunfo é que os lojistas mantêm um compromisso firme com a empresa. “O objetivo é crescer 10% este ano”, ressalta.

A Dever contabilizou 30% de aumento nas vendas em 2008, segundo informações do diretor Comercial, Sergio Guerra. Ele afirma que a empresa está conseguindo manter a trajetória ascendente até o momento. Dentro de pouco tempo, a marca contará com um reforço: A nova unidade de mantas asfálticas de Suzano (SP) elevará em quatro vezes a capacidade produtiva da empresa. Isso, aliado à meta de oferecer soluções com a mesma qualidade para clientes indústrias e residenciais, deverá garantir em sua opinião a performance nos próximos anos. 

As linhas elétricas sofreram um pouco mais com a situação de mercado. O Diretor Comercial da ThermoSystem, Luiz Antonio Botega, admite que não foi tão bom quanto o imaginado, mas também a performance obtida não chegou a ser uma desgraça. “Os números foram positivos, mas aquém do esperado”. Entretanto, os bons resultados alcançados nos primeiros dois meses de 2009, aumento de 16% nas vendas, reavivaram o otimismo. A Cardal, que atua no mesmo segmento, teve desempenho diferente. A empresa amargou uma queda de 20% em janeiro e fevereiro em relação ao ano passado. “Muitos comerciantes não repuseram seus estoques, apesar de manterem as vendas estáveis”, comenta o gerente Industrial da empresa, engenheiro Carlos Alexandre Cella. Em março, a Cardal conseguiu contar com uma retomada em seu faturamento e projeta crescimento de 20% este ano. “Nosso foco será no mercado C, D e E”, admite. “Mas não deixaremos de atender nossos clientes tradicionais com novos produtos”.

Apesar de obter performance positiva em 2008, aumento de 15% na vendas, a Sodramar estabeleceu uma meta modesta para este ano: 5%. Diante da retração em janeiro na demanda, o diretor Comercial da empresa, Augusto César M. Araújo, admite que se o desempenho for similar ao ano passado poderá considerar o fato uma grande vitória. A expansão da marca deverá ser obtida com uma atuação mais forte na região Norte do Brasil. “Visitei várias cidades e fiquei surpreso com o potencial de consumo”, confessa. Araújo acredita que conseguirá recuperar as possíveis perdas explorando melhor esse mercado.
A Light Tech, especializada em iluminação para jardins e piscinas, atende principalmente as classes A e B. “Não vimos sinal da crise ainda”, afirma o diretor Comercial da empresa, Roberto William Dreifus. Esse segmento se mostrou muito comprador no ano passado, tanto que a empresa fechou com crescimento de 20%. Para 2009, a meta se mostra mais ambiciosa: elevação de 25%, que será calcada principalmente com a ampliação da linha de produtos.

 

   

 

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