|
|
 |
10 pontos
“Preciso e tenho que fazer mais”
Washington Olivetto é o nome mais conhecido da publicidade brasileira, seja aqui ou no exterior. Essa fama foi conquistada com base em muitas premiações internacionais, mas sobretudo em campanhas que permanecem até hoje na memória, como o garoto da Bombril, o cachorro da Cofap, os gordinhos do DDD ou até mesmo o insuportável rato do jornal Folha de São Paulo.
Seu amor pelo futebol, principalmente pelo Corinthians, a decisão de não trabalhar com políticos e a opinião sincera sobre vários assuntos fizeram com que se tornasse um profissional respeitado e admirado pelo grande público. Em entrevista ao SINCOMAVI, Olivetto comenta que ainda tem muito a fazer e mostra um desconhecido laço com o varejo de material de construção.
1. Crise:
O verdadeiro líder sabe que a administração do astral, em qualquer negócio, é tão importante quando a administração do caixa. Cabe ao líder (particularmente nos momentos de crise) motivar as equipes. Sem o otimismo dos alienados, mas sem o pessimismo dos previamente derrotados. Com equilíbrio e com a consciência de que só esperança também não basta. Até porque esperança não é estratégia.
2. Motivação
Motiva-se misturando a possibilidade das compensações financeiras com as compensações emocionais. Não alcançar os pontos almejados deve ser encarado como uma exceção e como um obstáculo a ser superado.
3. Crescimento
Os verdadeiros líderes e empresários bem-sucedidos têm consciência de que é fundamental se realimentar com tudo o que existe fora do trabalho (na vida familiar, social, intelectual etc.) para poder voltar ao trabalho ainda melhor.
4. Criatividade
A publicidade brasileira continua ainda entre as melhores do mundo, mas já foi melhor. Nos dias de hoje, ela vive uma crise negocial, criativa e de autoestima como toda a publicidade mundial. Trata-se de um ciclo que se repete de tempos em tempos, mas depois é superado.
5. Brasil
Realmente, nós, brasileiros com mais de 40 anos, temos grande know-how de crises. No momento atual, a crise é menor do que se esperava e maior do que a gente gostaria. Mas já provamos várias vezes a nossa capacidade de superação e vamos sair de mais essa.
6. Política
Obviamente existem alguns bons políticos, mas são a minoria. Particularmente nunca me fascinei pelo universo dos políticos, que, até quando é bom, normalmente é, no mínimo, defasado do quadro social. O legislar ou gerir em causa própria é simplesmente constrangedor.
7. Internet
A Internet é irreversível. E, como tudo na vida, pode ser bem ou mal-usada. Depende de cada usuário. Neste momento, a coisa mais marcante da Internet é o fato de ela já ter democratizado o gesto de escrever, apesar de ainda não ter democratizado o gesto de escrever bem, que depende de outros componentes culturais.
8. Experiência
As andanças sempre contribuem. A boa propaganda é aquela que é extraída da vida, transformada em propaganda e devolvida para a vida. Toda e qualquer andança pelo Brasil e pelo mundo me informa, me reabastece e ajuda o meu progresso profissional, que tem que ser contínuo, apesar de muitas pessoas, ingenuamente, acreditarem que eu já tenha feito tudo que poderia fazer. Não é verdade: preciso e tenho que fazer mais. Na minha atividade, o já feito não importa — e ficar lambendo as crias é bobagem.
9. Futebol
A contratação do Ronaldo foi uma grande jogada mercadológica fora de campo que está se transformando em grandes jogadas futebolísticas dentro de campo. Ronaldo se recuperou, a marca Corinthians ganhou ainda mais visibilidade, os anunciantes que apostaram na ideia estão satisfeitos e outros ainda pretendem aderir. Enfim, até agora, tem dado muito certo.
10. Consumidor
Não gosto de desatenção e desrespeito à inteligência do consumidor. No Brasil, temos muita gente boa de venda, mas poucos bons de pós-venda, que é fundamental. Passei minha infância visitando lojas de material de construção na companhia do meu pai, que era vendedor de pincéis e tintas. Por isso, tenho enorme carinho por esse ramo. Há muito tempo não sou um frequentador de lojas de material de construção. Mas sei que muitas delas que conheci quando menino acabaram, merecidamente, se transformando em grandes redes.
|
|
 |