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10 Pontos
Sucesso sem felicidade não existe
Perder o foco do que realmente importa na vida se tornou algo muito comum atualmente. Pressões externas e internas impelem as pessoas a procurarem a felicidade em lugares errados e a exigirem de si próprias conquistas que nem mesmo elas desejavam no início. O consultor Roberto Shinyashiki afirma que o caminho do sucesso passa por pontos esquecidos e relegados ao segundo plano, como ética, prazer em trabalhar, vocação, convivência e paixão pela conquista. Psiquiatra, Shinyashiki se tornou uma referência no Brasil em desenvolvimento humano e profissional e na preocupação em demonstrar a necessidade das pessoas atingirem a plenitude em todos os campos: “É impossível ser feliz relegando a essência humana”, garante. Em entrevista ao SINCOMAVI, ele fala de suas experiências, do impacto da Internet nos relacionamentos e a importância da reflexão.
1. Crise
Como nada mais é absoluto e incontestável, precisamos aprender a encontrar o eixo de nossa trajetória. Para um novo tempo precisamos de um novo ser humano, livre das amarras do passado, revitalizado pelos desafios do presente, pronto para o sucesso da nova era. Do caos está nascendo um novo ser humano, centrado nas necessidades que esse momento exige, disposto a conquistar um novo espaço, num ambiente que se movimente e oscila entre a crise e a oportunidade. Esta é uma época diferente. Aqueles que ainda não souberam realizar seus sonhos vêem na mudança uma ameaça que torna este mundo cada vez pior e agressivo. Dentro de alguns anos, porém, vamos evoluir e poder acompanhar essas transformações com tranqüilidade, entendendo está época como um período de muito aprendizado. Quem aprender mais rapidamente poderá desfrutar mais cedo das vitórias. Quem demorar para se adequar vai viver mais tempo angustiado. No final, todos vamos saber evoluir com a vida. Tem sido assim desde o começo dos tempos e vai ser assim eternamente.
2. Conquista
Há chefes que estão sempre apontando os defeitos da equipe. Pensam que mostrar os erros servirá para que o grupo não se acomode. Em vez de motivar a equipe, tornam-se chatos. Ninguém gosta de estar em cantara com seus problemas 24 horas por dia. Gente adora o prazer de conquistar. O problema não é o seu objetivo, mas sim a maneira como você procura alcançá-lo. A sua vida muda quando você muda! Se você quer que os seus resultados mudem, você tem que mudar antes. A sua capacidade determina o tamanho das suas conquistas. Por isso, o campeão adora vitórias, não para receber elogios, mas para conhecer a sua força. Estar vivo é estar em permanente evolução.
3. Motivação
Criar paixão por resultados. Esta é a maior virtude que o vencedor deve ter. Essa motivação é necessária em todos os aspectos da vida, não só na empresa e no trabalho. É com esta paixão que nos motivamos, não desistindo nunca de nossas metas.
4. Felicidade
As empresas estão cada vez mais contratando as pessoas que tem paixão pelo trabalho. Ou seja, devemos ter alegria na realização de uma ação e desenvolver a consciência de que o trabalho tem de ser uma fonte de prazer e, por esse motivo, o equilíbrio pessoal também é muito importante. Vejo que muita gente coleciona somente jóias e se esquece do principal, que é a ética, a vontade de crescer, de realizar sonhos. É impossível ser feliz relegando a essência humana. É preciso ajudar as pessoas a serem felizes e, assim, obter lucro com a realização de todos os membros do time. O sucesso a qualquer preço desaparece em pouco tempo. Não vale a pena ter sucesso profissional sacrificando sua vida e a de outras pessoas. Ter respeito por você e pelos outros é essencial. A grande sacada é conseguir integrar sucesso com felicidade. As pessoas acham que precisam destruir a vida, abandonar família, amigos, projetos pessoais para poder atingir o alvo profissional. E o que gera essa atitude? No final, elas perdem tudo, comprometendo até mesmo seu desempenho, sua competência no trabalho
5. Reflexão
Trabalho e amor são a base de realização do ser humano. O trabalho, porém, não significa desperdiçar dois terços da vida em troca de dinheiro no final do mês. Ele é algo mais do que desperdiçar a juventude para garantir a velhice. É o desabrochar da alma e pode ser a fonte eterna da juventude. O trabalho propicia alegria, chances de aprendizado e desafios. Cada um de nós deve ter muito prazer no trabalho. A maioria das pessoas, porém, ainda trabalha para sobreviver, mas à medida que recuperam seu valor, podem realizar sua vocação. Quando o seu trabalho se torna fonte de angústias, pare e reflita nos seguintes pontos: Será que estou no lugar certo? Será que estou no emprego que corresponde ao meu talento? Será que tenho competência para fazer o que estou fazendo? Apesar dos problemas que vão aparecer, o trabalho precisa ser um caminho para a felicidade e para a realização, e não um sacrifício. O prazer está em se entregar totalmente, de maneira que você e seu trabalho sejam uma coisa única. O prazer de ser bom no que faz é a maior recompensa que podemos receber.
6. Mudança
Uma atitude mais ou menos sempre leva a um resultado medíocre. É importante entender com toda a clareza que, durante um processo de transformação radical, a atitude de fazer um pouco de cada vez nos trará resultados muito parecidos aos que teríamos se não fizéssemos nada. Quem quer fazer uma revolução na vida precisa tomar uma atitude radical. E, quando se toma uma decisão radical, é preciso continuar caminhando pela estrada que escolhemos – com comprometimento, determinação e fé. Nossas atitudes devem ter a mesma intensidade das decisões que tomamos. Porque é preciso correr atrás de nossos objetivos com a determinação de um faminto que anseia por um prato de comida. Buscar a água como um homem perdido no deserto. Dançar a música da vida como se seu corpo e sua alma fossem os instrumentos dessa música. Afinal, se você romper as grades da gaiola, mas não bater as asas para valer, jamais poderá voar de verdade.
7. Experiência
Conduzir seminários de desenvolvimento humano tem sido sempre uma experiência enriquecedora. Tenho aprendido tanto quanto ensinado às pessoas que deles participam. Certa vez, ao final de um desses seminários, notei a tristeza de uma mulher elegante, com aproximadamente 50 anos de idade. Resolvi me aproximar e lhe perguntei a razão de sua tristeza. De repente, seus olhos se encheram de água. Não precisei falar mais nada. Lentamente ela tirou uma foto da bolsa. Era a imagem de um rapaz aparentemente feliz, com um sorriso que chamou minha atenção. Mas, antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta, ela começou a me contar sua história:
“Meu filho morreu há alguns anos, mas a dor de sua perda continua tão forte quanto no dia de sua morte. Sua ausência é muito dolorosa, e não paro de pensar em como eu poderia ter evitado que ele fizesse aquela bobagem...”
Não entendi direito o que ela queria dizer. E, sem que eu tivesse pronunciado uma única palavra, ela continuou: “Ele se matou.”
Ela tirou um papel da bolsa e me disse que aquela era a última carta dele. Na verdade, era um bilhete de despedida, escrito em algum idioma oriental que eu não conhecia. Antes que eu lhe pedisse, ela começou a traduzi-lo. No bilhete, ele revelava sua frustração por não ter conseguido atender as próprias expectativas nem as de seus pais. Pedia perdão por seu ato, mas dizia ter certeza de que aquela seria a melhor saída.
Para mim, ela realmente não tinha de se culpar pelo que acontecera. A angústia do rapaz provavelmente é a mesma de tantas pessoas que não conseguem brilhar tanto quanto sonharam. Muitas buscam freneticamente o sucesso e se sentem derrotadas caso cometam qualquer deslize insignificante. Parece que, se não forem sensacionais em tudo o que fizerem, serão consideradas perdedoras. Uma sensação de tristeza tomou conta de mim e comecei a pensar nas muitas pessoas que sofrem por embarcar em uma viagem que não tem nada a ver com seu coração.
Lembrei-me de familiares, amigos e conhecidos que se torturavam por não conseguir ser tão perfeitos quanto desejavam. Inevitavelmente, comecei a refletir sobre uma série de pessoas famosas que tiveram um desfecho infeliz ou trágico, pois o sucesso lhes trouxe muito mais angústias que plenitude. Nunca se viu, em toda a história da humanidade, um culto ao ego tão exacerbado como o de hoje. As pessoas desenvolvem a necessidade de fingir que sabem tudo, ganham todas e acertam sempre. Cada vez mais, exige-se que a pessoa mostre o que não é, fale o que não sabe e exiba o que não tem.
8. Rede
A Internet ganhou um grande espaço em nossas vidas, não vivemos mais sem este fenômeno que ao mesmo tempo traz benefícios e malefícios. São muitas informações, muitos meios de se comunicar, muitos amigos virtuais, muito conteúdo, mas temos que saber separar o joio do trigo, nem tudo que está na rede é verdade, é legal e faz bem. Outra preocupação, não só minha, mas de muitas pessoas com as quais discuto o tema, é a exposição exagerada de alguns usuários. Na rede todos podem ser o que quiserem, ninguém fica triste, tem defeitos ou problemas. Isso mostra que mesmo com vários amigos no Orkut, com seguidores no Twitter e postando todos os dias no blog, no fundo, as pessoas se sentem sozinhas, inseguras e cheias de angústias. Conviver não é um ato facultativo em nossas vidas. É vital, seja no ambiente familiar, seja no profissional e conviver não é apenas virtualmente, mas também pessoalmente com todas as qualidades e defeitos que as pessoas possam ter.
9. Distorção
Hoje em dia fala-se muito de sucesso, mas pouco de trabalho. Quando o sucesso é separado do prazer de construir, ele é sempre temporário. Para muita gente, trabalho e sucesso são coisas desvinculadas. Muitas pessoas acreditam que o sucesso acontece por si só. Estão mais preocupadas em atingir o sucesso do que em usufruir o prazer de trabalhar. Na verdade, sentem certo desprezo pelo trabalho. De uma vez por todas, precisamos deixar claro que o sucesso é conseqüência do trabalho. Não apenas do trabalho duro, mas especialmente do trabalho bem-feito. Essa distorção da visão do sucesso faz parte da distorção da imagem que se tem do trabalho.
10. Mensagem
Todos nós precisamos ser sensacionais. Até um tempo atrás se a gente tirasse nota sete a gente resolvia nosso problema. No mundo de hoje nós precisamos sempre estar aperfeiçoando, sempre estar acima. Se eu faço o que sempre fiz, não chego a lugar nenhum. É preciso inovar sempre e cada um precisa apostar em si.
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