Opinião
Remédio amargo

Nem bem surgiram os primeiros sinais de inflação e o Banco Central decidiu por novo aumento da Selic em 0,75%. Essa elevação parece ser de pequena monta à primeira vista. No entanto, a taxa básica de juros brasileira é uma das mais altas do mundo e um dos freios ao desenvolvimento econômico do País. Certamente boa parte dos comerciantes deverá sentir os efeitos desse aumento apenas em 2009, mas tal fato se mostra muito preocupante para o setor. Isso porque já sofremos problemas localizados como: adoção da substituição tributária pelo setor e a obrigação de recolher em 8 vezes o ICMS dos estoques; restrição de circulação de caminhões no centro expandido da capital; aumento da inflação setorial, conforme dados coletados pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio); e pequeno recuo no crescimento das vendas do setor.

Mais uma vez fica a cargo da sociedade tomar o remédio amargo. Ao invés de aumentar a taxa Selic, o Governo Federal deveria atacar o verdadeiro problema: realizar os cortes públicos e uma reforma tributária que atendesse às necessidades da nação. Mas, como essas ações são pouco prováveis, quem deve ficar atento são os comerciantes.

Apesar do quadro não se mostrar positivo, acredito que os empresários do setor conseguirão se adaptar às novas regras do jogo. O lojista brasileiro sempre se mostrou um forte e tem obtido sucesso com o suor do rosto, sem contar com nenhum tipo de benefício oficial: empréstimos, isenções, prorrogações de dívidas ou cancelamento tão comumente vistos em outros segmentos da economia.

Outro fator que reforça meu otimismo é a evolução da construção civil no Brasil, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo. A cidade conta com número recorde de lançamentos imobiliários, o que certamente garantirá as vendas nos próximos anos por conta de reformas, adaptações e personalizações de novas unidades.

Além disso, os comerciantes também estão se dando conta da importância de manter programas de modernização de ponto-de-venda e treinamento para o aperfeiçoamento profissional pessoal e de suas equipes de trabalho. Esse cuidado tem reflexo direto no faturamento e lucratividade da empresa. Acredito plenamente que os obstáculos à frente do setor serão ultrapassados pela categoria. Afinal, isso já não é novidade para ninguém.

Reinaldo Pedro Correa
Presidente do SINCOMAVI

 

   

 

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