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Carta de Conjuntura ::: Abril 2019

Jaime Vasconcellos

Departamento de Economia do Sincomavi


Sinal amarelo ao crescimento econômico brasileiro em 2019. Não somos alarmistas falando de um PIB menor ou menos acelerado que 2018, mas sim da continuidade do arrefecimento da nossa taxa de crescimento. Ano passado se esperava que nossa economia evoluísse 3,0% em 2019. Esta projeção foi para +2,5% no início do ano e passou para 2,0% no decorrer dos primeiros meses. Hoje já está abaixo deste patamar, aos 1,95%.

Este processo de derretimento da projeção de crescimento de nossa economia para o atual ano é semelhante ao visto em 2018, quando houve fortes impactos da greve dos caminhoneiros, persistência de alto desemprego e incertezas trazidas pelo processo eleitoral nacional, em outubro. Em 2019, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,73% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, vindo já de um recuo de 0,31% em janeiro. Estamos falando da prévia do PIB e, por isso, há muita preocupação.

Atualmente, além do desemprego mostrar seu alto patamar no primeiro trimestre, há toda contaminação do ambiente econômico pelas incertezas provenientes da esfera política. A principal delas é a capacidade de articulação que o atual Executivo tem para propor, debater e aprovar a Reforma da Previdência, mas também a série de polêmicas que vivenciamos com as atitudes dos membros do mesmo Executivo. E estamos falando do Presidente, Ministros e outros aliados.

Além de baixas ministeriais, há atabalhoada influência dos filhos do Presidente em sua gestão, assim como do seu “guru” Olavo de Carvalho. Hoje há dúvidas até mesmo da capacidade de criação de uma coesão de uma base aliada dentro do seu próprio partido. Enfim, o que parece a este economista que vos escreve é que há demasiada discussão sobre influências ideológicas nas ações governamentais, e menos debates sobre verdadeiros projetos de desenvolvimento e evolução socioeconômica para o país.

Esta confusa gestão do Governo Bolsonaro nestes primeiros 100 dias gera incertezas sobre sua capacidade de estabilizar o país conjunturalmente, assim como traz dúvidas sobre o futuro de grandes reformas estruturais. O mercado vê isso, os investidores veem isto, as empresas veem isto e a população também. Quando há incerteza, há desconfiança. Com menor confiança, e ainda assolados pela forte e recente crise, empresários e famílias postergam investimentos, aquisição de crédito e consumo. Por isso, a economia anda a pequenos passos. A economia em 2019, pelo exposto assim, está fadada a crescer, mas este é mais um capítulo onde uma das maiores economias do mundo evolui a conta gotas.

Dada tal análise, nossas projeções ficam em:

Para 2019:

      PIB: +1,9%;

      IPCA/IBGE: 4,0%; 

      SELIC: 6,50%;

      Taxa de Câmbio: 3,70;

      Balança Comercial: + US$ 50 bi

      Vendas do varejo: +4,5%;

      Volume dos serviços: +1,5%.