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Carta de Conjuntura ::: Maio 2019

Jaime Vasconcellos

Departamento de Economia do Sincomavi

 

Em nossa carta de conjuntura de abril demos sinal amarelo para nossa realidade conjuntural devido a primeira projeção para economia brasileira estar abaixo de um crescimento de 2,0% em 2019. Hoje o sinal é de um amarelo intermitente, flertando com o sinal vermelho. Pela primeira vez no ano se espera um crescimento de nosso PIB (Produto Interno Bruto) abaixo do 1,5%. Em verdade, algumas instituições esperam evolução abaixo do registrado ano passado, isto é, menor que 1,1%.

O que se sente neste momento é um momento claro de frustração com relação a nossa economia. E isso ocorre pois houve crescimento da confiança de consumidores e empresários no último trimestre de 2018. Havia esperança que a economia crescesse até 3,0% e gerasse ao menos 1 milhão de empregos com carteira assinada em 2019. Hoje se sabe que se tivermos metade destes patamares já será um alento.

O governo atual sofre para negociar reformas estruturais, ao mesmo tempo que possui baixíssima capacidade de gerar estabilidade macroeconômica. E ressalta-se que neste último ponto se fala principalmente pela tamanha desarticulação partidária e de liderança política, e do foco em questões ideológicas que nem chegam perto de afetar os principais gargalos e desafios socioeconômicos de nosso país. E olha que o mercado internacional, instável pela guerra comercial entre EUA e China, piora realidade de mercados emergentes, como o nosso.

Com arrefecimento das projeções positivas de 2019 aumenta-se a necessidade de cuidados e pragmatismo para empresários e seus colaboradores. É hora de rever projeções da receita de vendas, assim como muito cuidado com os níveis de endividamento, seja para empresa, seja para o orçamento familiar. E estamos falando daqueles ainda sobreviventes na ativa pós-pico da crise, em 2015 e 2016. Problema muito mais sério estão àqueles que já fecharam seus negócios ou perderam seus postos de trabalho formais. Não parece que o lado real da economia deva se recuperar de forma significativa nem mesmo em 2020. Haja crítica e esperança.

Dada tal análise, nossas projeções ficam:

Para 2019:

      PIB: +1,3%;

      IPCA/IBGE: 4,0%; 

      SELIC: 6,50%;

      Taxa de Câmbio: 3,70;

      Balança Comercial: + US$ 50 bi

      Vendas do varejo: +4,5%;

      Volume dos serviços: +1,5%.