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Carta de Conjuntura ::: março 2019

Jaime Vasconcellos
Departamento de Economia do Sincomavi


Os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostraram que a economia brasileira cresceu em 1,1% em 2018. É praticamente a mesma evolução vista no ano anterior, quando o PIB (Produto Interno Bruto) nacional avançou 1,0%. Esses dois tímidos crescimentos são um alento perante a grave crise da economia brasileira pós 2014, principalmente em relação às quedas sofridas em 2015 e 2016, períodos nos quais a atividade econômica retrocedeu 3,5% em cada um dos anos.

Estes números recentes do desempenho mostram que uma economia do tamanho da brasileira quando afunda tanto, e de forma tão rápida, demora para reacelerar. A despeito desta questão de magnitude, destaca-se certas peculiaridades de nosso país que funcionam como peso preso aos pés: burocracia, corrupção, contas públicas deficitárias, inconsistência de âmbito político, pequena abertura comercial e infraestrutura deficitária. É neste cenário que se está tentando voltar a crescer.

A maior parte das urgências brasileiras para voltar a crescer é de caráter estrutural. Estamos falando do campo econômico, político e moral. Não apenas para crescer este ano, mas para evoluir de forma sustentável. Há de se escancarar os desvios de ética de agentes públicos e privados sempre. E conjuntamente a isso em 2019 buscar maior equilíbrio das contas públicas. Para isso é essencial a reforma do sistema previdenciário. Este é o condicionante à saúde financeira do Governo daqui para frente. Sem contar que a capacidade dos novos governantes está em jogo no trâmite do texto apresentado ao Congresso. 

Se a reforma for aprovada cresceremos 2% em 2019. Ainda mais com a expectativa de inflação baixa, juros baixos e desemprego caindo, ainda de forma tímida. Aguardemos os trâmites, negociações, concessões na chamada reforma previdenciária, e seus impactos nas decisões econômicas. Enquanto isso, retomamos as projeções para os importantes indicadores macroeconômicos brasileiros para 2019. 

Para 2019

PIB: +2,0%;
IPCA/IBGE: 3,7%; 
SELIC: 6,50%;
Taxa de Câmbio: 3,70;
Balança Comercial: + US$ 50 bi
Vendas do varejo: +4,5%;
Volume dos serviços: +1,5%.