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Carta de Conjuntura :: fevereiro 2019



Por Jaime Vasconcellos, economista.

Em nossa primeira carta de conjuntura do ano fizemos uma análise do que nos faltava observar de 2018. Também iniciamos os primeiros palpites do ambiente econômico de 2019, a partir dos mais importantes indicadores macroeconômicos. Duas conclusões foram fáceis de explicitar. Uma que no ano passado o país cresceu menos do que se esperava e outra que este ano será melhor. A despeito disso, o que devemos nos focar em análises a partir deste mês de fevereiro?

Sem dúvidas, o que se observa neste momento são as preparações para a reforma da previdência. Ou melhor, os detalhes do que o governo irá propor reformar e sua capacidade para negociar com as câmaras legislativas. É possível afirmar que os resultados das eleições para a presidência das duas Casas foram positivos para os interesses do Executivo, mas as recentes instabilidades políticas criadas pelas opiniões explicitadas por familiares do presidente e o desfecho com a demissão do ministro da Secretaria-Geral Gustavo Bebianno (PSL) podem atrapalhar as negociações recentes. Vamos esperar a poeira baixar, se é que toda ela vai baixar. 

Este cenário político é essencial para avaliar o quadro econômico. Os agentes estão aguardando o trâmite da reforma para observar a força do governo na votação do seu principal desafio político de 2019 e verificar, do ponto de vista econômico, a saúde das contas públicas aos próximos anos. É sabido que tal reforma é condicionante de um equilíbrio fiscal sustentável daqui pra frente. Sem dúvidas o ajuste das contas públicas passa por isso. 

Há de se aguardar os próximos acontecimentos. Neste caso, como em muitos, o cenário político é indissociável do econômico, pois pode gerar instabilidade e incerteza ou, em voos mais tranquilos, boas possibilidades para continuidade da reaceleração da economia. As boas notícias ainda advêm de inflação baixa, juros baixos, retomada (tímida) do emprego e, com isso, boas expectativas com o consumo das famílias. Isso se espraia para os indicadores de desempenho empresarial. Estas são realidades. A continuidade e o ritmo dessa melhoria é que estão em jogo no que tentamos explicar. A reforma passando haverá cenário favorável para tal. 

Com isso, retomamos as projeções para os importantes indicadores macroeconômicos brasileiros. Como dito anteriormente, para 2018, com alguns que ainda não foram fechados, e principalmente para 2019.

Para 2018:
PIB: +1,2%;
Inflação - IPCA/IBGE: 4,0%; 
SELIC: 6,50%;
Taxa de Câmbio: 3,80;
Balança Comercial: + US$ 58 bi;
Vendas do varejo: +2,0%;
Volume dos serviços: -1,5%.

Para 2019:
PIB: +2,3%;
IPCA/IBGE: 3,7%; 
SELIC: 6,75%;
Taxa de Câmbio: 3,80;
Balança Comercial: + US$ 50 bi
Vendas do varejo: +4,5%;
Volume dos serviços: +1,5%.